MEIO AMBIENTE

Preciso de um tradutor-intérprete urgente! Num desses domingos nublados, final de mês, quando todas as economias já constam como coisa do passado e vislumbra-se com carinho a primeira semana de mês subseqüente, reuni a família para ver televisão, aberta - é claro.
Fórmula 1 sem Senna. Os Trapalhões sem “Mussum Furevis”. Faustão, o Magrão e por aí vai. Porém num certo programa quase legal estavam se apresentando alguns jovens que competiam entre si. A brincadeira chamava a atenção pela simplicidade e pelas respostas não tanto objetivas. Dentre muitas perguntas e respostas foi apresentada a seguinte: “Cada um no seu quadrado!”.
Dentro da ignorância - nesciência - que nos é permitido a todos, perguntas foram dirigidas a minha companheira, que refutou. Procurava por quadrados no palco e eles de vez em quando repetiam a frase maquiavélica: “Cada um no seu quadrado!”. Ninguém mudou de posição, nada aconteceu na tela, nem mesmo um novo cenário e eu fora do quadrado, totalmente.
Foi quando apareceram, na sala, meus filhos e bradei: “Cada um no seu quadrado!”. Eles me responderam que iam para os seus aposentos. Mas como seus aposentos se os mesmos são retangulares e não quadrados? Qual é este relação que desconheço? Preciso de um intérprete, urgente!
Após um breve intervalo de 3.600 segundos foi então explicado o significado que urge como cada um tem que fazer aquilo que tem conhecimento, que domina. Claro que pode colocar outros ingredientes como respeito, honestidade e lealdade. Aí sim, cada um no seu quadrado!
O melhor médico de um hospital é indicado para ocupar a Gestão de um hospital ou retirar um professor da sala de aula para gerir algo, sem que este tenha conhecimentos profundos de técnicas de gerenciamento é na verdade expô-lo a riscos e a Sociedade perde um bom profissional no trabalho.
Isto acontece em todas as profissões. A pessoa fica em evidência em função de suas atividades para qual foi preparado, muitas vezes por décadas e é transferido para uma área onde nada conhece ou acha que é fácil.
Se fizermos um breve levantamento veremos que mais de 90% das empresas vão a falência no primeiro ano de vida e que 99% das empresas desaparecem ao final do terceiro ano de existência, logo gerir não deve ser tão fácil assim. Na empresa privada é falência, na pública é morte!
Há também divergências, pois todos conhecem aqueles comerciantes de bairros que sobrevivem a décadas. Isto nos subúrbios e locais de difícil acesso ou com insumos específicos, em outras palavras: ”Em terra de cego...” Um detalhe é que para a maioria dos cursos de nível superior não é ensinado como se vender. Você estuda e outro te vende e cobra pela sua formação.
Hoje é mais do que sonho, pois nossa realidade nos imprime que na Gestão Ambiental - leia-se Secretarias de Meio Ambiente (quando existem) são geridas por pessoas que não sabem a diferença do Meio Ambiente para o Ambiente Inteiro ou que as Bacias Aéreas não são discos voadores.


Oswaldo F. Mendes Gestor Ambiental - Engenheiro de Segurança do Trabalho - Oswaldomendes@ig.com.br - www.sage.coppe.ufrj.br