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CAPA
CRIANÇAS
ABANDONADAS
No
Brasil, o abandono de bebês vem desde a era colonial, quando era comum
encontrá-las largadas em ruas, becos e portas de casas ou em
rios,mangues e no lixo.
Havia
a possibilidade de alguém recolher o neném e criar, mas os recém
nascidos que eram abandonados nas ruas corriam até mesmo o risco de
serem devorados por cães e porcos que vagavam elas cidades.
O
abandono de bebês. Muitas vezes, era para preserve a honra das moças e
falta de recursos para criar mais um filho era motivo de abandono e
infanticídio no período colonial.
Quando
as crianças nasciam com alguma deficiência também eram abandonadas,
Aqui
mesmo em Cabo frio, o Charitas, onde hoje se encontra o Museu e Casa da
Cultura Jos´pe do Dome, já existoi um orfanato. Ele abrigava recém
nascidos que eram colocados pelas mães em uma “ roda”, protegidas
pelo anonimato e a escuridão da noite. Do outro lado da “ roda”,
essascrianças eram recolhidas e passavam a receber abrigo, alimentação
e educação. As mamães que renunciam pela convivência com as suas
crianças,tinham a certeza de que as crianças teriam um tratamento
digno.
Crianças
abandonadas nas “ rodas” ficavem geralmente em uma instituição
religiosa ou iam viver com uma ama de leite até completar três anos.
Isso porque a casa que as recebia – o que seria hoje uma espécie de
orfanato – costumava ficar cheia. As crianças permaneciam na roda até
os sete anos. Depois disso, os meninos iam trabalhar na agricultura, ou
eram encaminhados para escolas de ofício. Já as meninas, acabavam
virando empregadas domésticas.
Hoje,
quando alguém joga seu filho em um rio, lixeira, na calçada, não
ignora que está condenando-a
à um triste destino.
AS
NOSSAS CRIANÇAS
É o fato de que vivemos numa época de grandes transformações e que o
ritmo dessas mudanças vem se acelerando cada vez mais. O rápido
crescimento populacional juntando-se ao avanço das ciências, das artes
e da tecnologia representam mudanças tangíveis na estrutura social
mundial, o que inclui, particularmente, o Brasil. As conseqüências
dessas mudanças têm se tornado cada vez mais complexas. No meio desse
turbilhão estamos nós, procurando entender o que está acontecendo,
pelo menos ao nosso redor.
É
assustador o número de crianças abandonadas em nosso país. Assistimos
diariamente a um contingente crescente de crianças que mendigam, que
enfrentam o trânsito ao aproximarem-se dos automóveis a fim de vender
um saquinho de balas ou outro produto qualquer. Muitas delas vivem
diariamente nas ruas da cidade. Fora da escola, essas crianças crescem
sem a menor condição de ajuste pessoal e social.
Ajudar
essas crianças que não têm esperanças de um futuro próspero e que são
relegadas às margens da sociedade deve ser o desejo de cada brasileiro.
Como
é do conhecimento de grande parte da nossa população, os primeiros
anos da infância são especialmente de uma importância básica para o
futuro da criança, pois é nessa fase da vida que o seu desenvolvimento
cerebral proporciona-lhe meios de pensar e falar, de aprender e
raciocinar, condicionando influências no comportamento social em vida
adulta. É necessário garantir o futuro dessas crianças e para isso o
começo deve ser o âmbito familiar onde ofereçam-se garantias de que
nasçam com boas condições de saúde, com a mãe assistida no período
de gestação e no parto, dando-lhe direito ao seu registro civil,
disponibilizando-lhe alimentação materna, cuidados básicos de higiene
, vacinas e meios para que se integre num processo permanente de
estimulação cognitiva e psicológica garantindo-lhe o melhor começo
de vida possível dentro da família e do grupo comunitário a que
pertence, desenvolvendo todo o seu potencial, garantindo
à criança uma infância saudável, ela, representando o futuro da nação
e a força para mudanças na sociedade, será capaz de influenciar, sem
dúvida alguma, para uma nação mais justa, intervindo socialmente,
agindo como cidadã consciente, capaz de proporcionar à sua comunidade,
através de tudo o que aprendeu e de todo o seu trabalho, alguma forma
de desenvolvimento social.
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